25/12
Meu senhor
Minha Senhora
Dona da ceia
Engordecida
Dolorida
Não sabe de quê
Faz parte nascer , comer e morrer
Suas mãos não servem nem pra abrir uma porta
Nem pro calor de um convidado frio
Uma árvore com bolinhas coloridas
No canto da sala
Traz o alívio da simbólica família pobre
Fritam rabanada
Que também não servem pra nada
Depois enjoo e engov
Pra matar a ressaca
Do açúcar Re-Finado
Aqui em cima são todos refinados
Uvas no cacho
Os finados receberão suas flores no caixão
Ali não
O porteiro esquecido
Lá embaixo
Talvez ganhe um resto de salpicão adormecido
Seu serviço
Tão dedicado
Aos re-finados que sobem no elevador social
Hoje é dia de festa lá em cima
Aqui em baixo né não
Feliz Natal!
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