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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

25/12

25/12

Meu senhor
Minha Senhora
Dona da ceia
Engordecida
Dolorida
Não sabe de quê
Faz parte nascer , comer e morrer
Suas mãos não servem nem pra abrir uma porta
Nem pro calor de um convidado frio
Uma árvore com bolinhas coloridas
No canto da sala
Traz o alívio da simbólica família pobre
Fritam rabanada
Que também não servem pra nada
Depois enjoo e engov
Pra matar a ressaca
Do açúcar Re-Finado
Aqui em cima são todos refinados
Uvas no cacho
Os finados receberão suas flores no caixão
Ali não
O porteiro esquecido
Lá embaixo
Talvez ganhe um resto de salpicão adormecido
Seu serviço
Tão dedicado
Aos re-finados que sobem no elevador social
Hoje é dia de festa lá em cima
Aqui em baixo né não
Feliz Natal!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Leão



Cheiro de bicho 
Amor de olhar
Sobre a terra 
Plana e sóbria
Cristalina Retina 
Reclina sobre teu corpo
Seu movimento
Sua rotina
Sua luz incrível ilumina
Me cega
Me guia
Orgânica 
Magia cênica
De pé no chão
Chama minha mão pra dançar
Talvez voar
Instinto
Vicio Cheiro de Bicho
Tara 
Faz da carcaça troféu
Alma de caça no céu
Teu orvalho sobre o campo limpo
Ileso
Aperta o passo
Pra não sentir a carniça
Seu rasto enfeitiça
Cheiro de bicho
Instinto
Vicio



Passagem

Tranquilo e incolor
Outros cantos
Quatro ventos
Dois ventres
Desatentos
Só passagem
Sem passado
Nem pressentimentos
Sem mistério
Sem para-quedas
Sem miragem
Sem seta
Sem viagem
Discreta
Assim foi minha passagem
Por lá
Pegadas
Outras pedras
Outros asfaltos
Sorrisos descalços
Ventos frios
Novas sementes
Para que outras chuvas reguem
Transpondo outros rios
Volto sem deixar vestígios aparentes
Sem promessa
Nem remessa
Se jogar
Se julgar
Sem dor
Só passagem