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sexta-feira, 3 de maio de 2024

me achei

 voltar atrás tem um brilho 

de encontrar com quem ja fui

e ficar feliz por reconhece-la

é como rever uma velha conhecida

matar a saudade

retomar uma velha amizade

achar os escritos e lembrar do tempo e do cheiro

do que eu sentia e nem sinto mais

gostar de lembrar de como eu era

como abrir uma gaveta esquecida no tempo

me abraçar e dizer que gosto de quem escreveu

me achei nesses pedaços de tempo 

levo comigo uma esperança que lá na frente

vou ter a mesma sensação!

sou outra eu 

mais achada

e mais perdida que antes





sexta-feira, 31 de março de 2017



Dois ou mais


tão fundo seu peito

coincidencia
lembrei do meu cabe tanto
grata por me lembrar
cabe muito mesmo
cabe o seu e o meu
aí um jantar bolo de milho
aniversario
chama a mae e o pai
chama a filha e o filho
sinto estranha
mesmo que sei que nao tem que esconder
dá vontade de esconder
vai ter bolo rolo
e briga e choro
e despedida
voce pra mim e um problema meu
eu tambem
resolvo lidar
com a louça e a saudade
vou lavar
e lavo mesmo
um dia depois outro
vai valer
porque amor bate na porta
tem que entrar
abre o paninho no chão
ajeita as coisas
depois faz uma trouxinha e guarda lá bonitinha
bem vindo tem que ser roxo azul e rosa calcinha
todo cinza de roupa no chao
bom dia
vou ali viver sem voce
a noite volto se quiser
tnho tanta coisa pra fazer
a gente entrega um pedacinho
que nao vai fazer falta
se fizer devolve, revolver
pede de volta
nunca acabei a carga da caneta
ou ela some ou falha antes de acabar a tinta
aquela esferografica, gosto
viu o jornal? vou fazer xixi
ví não
nada importante
tudo igual
deita comigo hoje, amanha nao sei
vai ficar tudo bem

terça-feira, 3 de maio de 2016

Quero falar de um futuro próximo
Em que as cores cobrem o fundo
Um mundo criado a partir de coisas sóbrias
Que derretem e escorrem pelo corpo etéreo
Transformando o dia em anos
Viajando no tempo que eu mesma faço
Desfazendo o ontem
Crio eternas lembranças
Viagens
Pessoas 
Amores
Dores que passaram
Paisagens que vi
Instantes infindáveis
Repasso a fita
Vai que de tanto criar
Esse real se torna possível
Vai que de tanto querer
Essa ponte vira concreto
Esse som vira concerto
Essa luz que sei que me habita
Passa a ser matéria
O hoje pra mim não tem sentido
Se eu não puder me despir da carne
Viver esse pedaço do caminho 
Só é possível se eu puder sair de mim
As vezes



terça-feira, 22 de dezembro de 2015

25/12

25/12

Meu senhor
Minha Senhora
Dona da ceia
Engordecida
Dolorida
Não sabe de quê
Faz parte nascer , comer e morrer
Suas mãos não servem nem pra abrir uma porta
Nem pro calor de um convidado frio
Uma árvore com bolinhas coloridas
No canto da sala
Traz o alívio da simbólica família pobre
Fritam rabanada
Que também não servem pra nada
Depois enjoo e engov
Pra matar a ressaca
Do açúcar Re-Finado
Aqui em cima são todos refinados
Uvas no cacho
Os finados receberão suas flores no caixão
Ali não
O porteiro esquecido
Lá embaixo
Talvez ganhe um resto de salpicão adormecido
Seu serviço
Tão dedicado
Aos re-finados que sobem no elevador social
Hoje é dia de festa lá em cima
Aqui em baixo né não
Feliz Natal!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Leão



Cheiro de bicho 
Amor de olhar
Sobre a terra 
Plana e sóbria
Cristalina Retina 
Reclina sobre teu corpo
Seu movimento
Sua rotina
Sua luz incrível ilumina
Me cega
Me guia
Orgânica 
Magia cênica
De pé no chão
Chama minha mão pra dançar
Talvez voar
Instinto
Vicio Cheiro de Bicho
Tara 
Faz da carcaça troféu
Alma de caça no céu
Teu orvalho sobre o campo limpo
Ileso
Aperta o passo
Pra não sentir a carniça
Seu rasto enfeitiça
Cheiro de bicho
Instinto
Vicio



Passagem

Tranquilo e incolor
Outros cantos
Quatro ventos
Dois ventres
Desatentos
Só passagem
Sem passado
Nem pressentimentos
Sem mistério
Sem para-quedas
Sem miragem
Sem seta
Sem viagem
Discreta
Assim foi minha passagem
Por lá
Pegadas
Outras pedras
Outros asfaltos
Sorrisos descalços
Ventos frios
Novas sementes
Para que outras chuvas reguem
Transpondo outros rios
Volto sem deixar vestígios aparentes
Sem promessa
Nem remessa
Se jogar
Se julgar
Sem dor
Só passagem

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Incômodo


Tinha Gente
Tinha lixo 
Tinha gente
Tinha vinho
Luz de cor

E eu 
Talvez num sussurro
Que passou batido
Passou moído no meio dos surdos
Só um ouviu quando eu passei
Eu incomodo

Eu passo pelo meio
E se eu passo pelo canto
O cegos todos vêem
Que eu passei sussurrando
Que não era pra ninguém ouvir
Mas os surdos vêem e ouvem
E eu incomodo
Sem querer
Ser eu incomoda

Tinha gente
Tinha bicho
Eu não
O louco passou
Com a roda por cima dele
Em marcha lenta
Sem perceber

O satélite brilha de zoom azul
No céu
E o louco não vê
Porque incomoda os outros cegos